domingo, 6 de dezembro de 2009

Das profissões...

O psiquiatra e seus remédios?
Sufoca-dor
do homem moderno.

Das profissões...


O juiz?
Julga-dor alheia
Com meia verdade em cada mão.

Das profissões...

Advogado de defesa do homem culpado?
Um fingi-dor de intenções.

Das profissões...

O policial?
Fiscaliza-dor de desejos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Homens de honra.



Pra recuperar os dias de aula perdidos por causa da gripe suína, aqui no sul, as crianças tem tido aulas aos sábados. Hoje é sábado, 6:40 já estava em pé, delicia. Mas como nada se perde tentei fazer algo bom no silêncio da manhã. Já assisti dois filmes até o momento. "Perfume de Mulher" e "Jornada pela Liberdade". Este último eu tenho em DVD e já assisti algumas vezes, hoje passou na televisão, vi novamente.

Jornada pela Liberdade foi inspirado em uma história real. O filme conta a vida e a luta de William Wilberforce, líder do movimento abolicionista britânico. Willian inicio jovem a batalha pela aprovação de uma lei que proibisse o tráfico de negros na Inglaterra. Conseguiu.

A história de vida dele é emocionante. Nos dias que quero uma injeção de ânimo e vida, coloco este filme e assisto o final. Me emociona sempre e no momento da aprovação bato palmas junto com a câmara. Sim, me empolgo em filmes.

Mas o que realmente me toca e sempre me vem a cabeça, e ao coração, é de que o mundo carece de homens de honra. O que quer dizer? Eu não sei bem, mas essa frase sempre aparece. Claro que sempre houveram homens de honra e homens medíocres em qualquer tempo e lugar, e os de honra sempre foram excessão. No entanto, hoje, em especial, no nosso tempo, o mundo parece ter sido dominado pelos homens medíocres. Homens medíocres, jovens medíocres, vidas medíocres...

Há muitas batalhas para serem travadas, no entanto a maioria das pessoas travam suas maiores batalhas com o negativo do banco. E não desconsidero aqui a necessidade de sobrevivência, só registro é que as pessoas transformaram isso em suas maiores batalhas. Desistiram das batalhas internas, aquelas que devem ser travadas dentro de cada um de nós. Batalhas contra nossos preconceitos, cegueira e ignorância. E essa já é uma imensa tarefa, porque só após alguma vitória interna poderemos nos lançar em outras arenas.

A arena da vida, que carece de gente corajosa e sensível. No filme há um discurso interessante que fala disso, de que quando pensamos em grandes homens pensamos em homens como Napoleão, homens de violência que tem as mãos manchadas de sangue, não pensamos em homens de paz. No entanto, honra e coragem podem ser encontrados em campos de batalhas bem menos visíveis. A vida é feita de pequenas batalhas diárias. Todos os dias elas são travadas por pessoas comuns que conseguem manter a dignidade apesar de tudo, sem desesperar. Pais que conseguem se fazer presentes e ter coragem de impor limites, apesar da falta de tempo que a necessidade de trabalho lhes exige. Mães que educam sozinhas, corajosamente, suas crianças sem perder a ternura, homens que conseguem manter o respeito mesmo quando são seguidamente desrespeitados. E passam isso adiante, sem o medíocre jeitinho brasileiro, sem desculpas, sem pegar o caminho mais fácil.

É assustador quando se vive em uma sociedade em que o maior feito de um sujeito é conseguir participar do BIG BROTHER! É assustador ver o que nossas crianças tem almejado ser, e estimulados!

Nasci no tempo errado ou no planeta errado. Estava quase trocando, mas o Albano sugeriu que eu não mudasse ainda. Vou tentar ficar um pouco mais. Ainda existem algumas batalhas para serem travadas, se não por mim, em nome dos meus filhos.

Honra e coragem. Parece estranho, ridículo, utopia?

Mas tente, e repita em voz alta, honra e coragem, honra e coragem, honra e coragem.

E vai que a gente lembre o que significa?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O dia em que fui miss.


Um dia eu fui miss, pasmem!

É verdade que fui uma miss de mentira, mas isso foi só um detalhe técnico do enredo.

Aos 15 anos eu vivi uma pequena aventura em uma cidade do interior aqui no sul. Na época eu estava no 1a ano do segundo grau. Encontrei no bar da escola algumas conhecidas, entre elas havia uma menina que não era da escola. Discutiam um problema em busca de uma solução urgente. Então me contaram, haviam acertado de viajar no outro dia para o interior com essa menina, iriam desfilar em um evento. A questão é que uma delas não poderia ir mais e o grupo estava desfalcado. No meio da conversa me convidaram para substitui-la.

Eu?? Claro, não tenho nada para fazer amanhã mesmo.
Detalhe, na adolescência meu apelido era Fafá de Belém, e vocês imaginam o motivo e eu tinha 10 quilos a mais do que tenho hoje, ou seja, era uma adolescente gordinha. Mas como sempre fui abençoada com uma boa dose de autoestima nunca me importei e embarquei para meu dia de miss com duas desconhecidas.

Aventureira e livre, sempre gostei de pagar pra ver. Algumas horas de viagem depois desembarcamos. O organizador do evento era irmão de uma das meninas, foi nos buscar na rodoviária. Assim que entramos no carro ouvimos no rádio o anúncio do evento e a participação ilustre da miss Rio Grande do Sul, Miss Porto Alegre e miss não sei o quê!

O organizador avisou que iríamos direto ao "magazine" da cidade para escolher as roupas do desfile. Cortesia do maior magazine da cidade, e patrocinador.

Vambora! Chegamos lá a loja inteira a disposição das misses. Realizada escolhi um vestidinho preto para disfarçar as formas adolescentes arredondadas.

Uma arrumou a outra, numa época em que chapinha não existia e eu ainda não possuía um kit maquilagem salva-vidas.

Quando chegamos ao evento, surpresa, o lugar estava lotado!!
Ficamos em uma sala separada, era um concurso de beleza. Depois de desfilarmos, seríamos juradas da competição.
As meninas estavam muito nervosas, e uma delas comentou " vocês não devem estar nervosas, tem muita prática ?", e eu respondi " Você nem imagina, mas empre dá um friozinho na barriga..."

O palco era imenso, o salão lotado, não dava para desistir e no auto-falante o anúncio Andréa Be-alguma coisa (nunca acertam) miss Porto Alegre! Hahahaha...

Lá vamos nós, pensei.
Deste momento glorioso só lembro que havia uma turma de meninos que aplaudiam eufóricos o a fato de eu estar de vestido curto em um palco tão alto. Quando estou nervosa faço tudo no automático. Além dos meninos não registrei mais nada.

Depois disso vieram as meninas. Havia uma linda, certamente a mais bonita, mas era muito antipática. Entrou com ares de já ganhei. Anotei esse detalhe".
Os jurados estavam reunidos para decidir, e claro ela havia sido bem pontuada. Quando começamos a discutir o tema, defendi a idéia de que uma mulher precisa ter mais que beleza, tem que ser simpática e ter um "tcham" a mais. De que a antipatia da candidata diminuía a beleza dela e que o título tinha que ir para outra menina.

Pasmem, todos concordaram! Descobri ali o poder de persuasão e manipulação que move as mulheres, invejosas ( naquele caso eu) hahaha.

Prazer à parte o momento do anúncio. A antipática levou um choque! E eu me diverti com a reação dela e fiquei feliz com a felicidade da outra menina que ganhou, porque não sou tão malvada assim. Alegria de uns, tristeza de outros.

Pra fechar, bati muitas fotos com patrocinadores, autoridades e fãs... muito engraçado! Nunca vi estas fotos, nem quero. Aproveitamos a noite entrando em vários lugares, comendo e bebendo de graça.

Adorei ser paparicada, e voltei da viagem convicta que o povo acredita em qualquer coisa, e se impressiona fácil, basta um título qualquer. E se impressionam tanto que negam a realidade completamente, porque de miss só tinha o fundo branco do olho!

Uma observação.



Tem uma situação em que gordura é fundamental.
No abraço.
O melhor abraço é o abraço de gente gordinha, sem dúvida.
O abraço do gordinho faz com que a gente se sinta automaticamente amado. Eu me sinto amada quando abraço gente gorda. É um aconchego, não há escapatória, o outro nos envolve inteiro.
Já abraço de gente magra é de uma aridez dramática. Osso batendo, nada encaixa, desajeito.
Os magros não foram feitos para abraçar, parecem ter sempre pouco a oferecer. Os magros não foram feitos para o amor, os muito magros não foram feitos nem para o sexo. No máximo podemos lhes dar um carinho nos cabelos ou um tapinha nas costas, de pena.